Com vontade de tirar uma folga da cidade grande, decidi viajar. O plano era minha mãe ir sozinha, mas no meio da aula de PFO decidi ir. É, foi uma boa escolha. Mineiros, pão de queijo e mais mineiros. Assim não tem como me decepcionar com uma viagem.
Na quinta, as 5 da matina, enquanto uns estavam voltando da balada, eu estava ouvindo música e fazendo carinho no meu cachorro enquanto meu pai se achava no volante. Passamos umas seis horas no carro, mas foi legal. Passar por cidades pacatas, pela serra e depois entrar em Cruzília é algo inexplicável, mas vou parar de parecer profunda e falar o que rolou.
No dia que cheguei não rolou nada, pois dormimos a tarde toda e de noite tive que assistir novela ao invés de ir comer meu sagrado cheese bacon. Na sexta minha prima querida chegou, e tudo mudou. Muito rebelde, ela decidiu não seguir as regras do seu pai e tentou sair comigo para tomarmos um sorvete. Quando estávamos subindo uma rua que é ótima para aqueles que querem emagrecer, pois parece mais uma ladeira, ela decidiu que era melhor voltarmos e eu propor para minha mãe que eu dormisse na casa dela, para assim podermos sair com mais tempo. Claro, com a oportunidade de ver o Renan e o Geraldo, eu aceitei na hora.
E assim fizemos. Voltei e perguntei para minha mãe se eu podia ficar lá. Ela aceitou, como sempre. Eu deveria ter perguntado pra minha tia primeiro, já que ela é a dona da casa, mas eu sempre esqueço desses detalhes. Mas, cá entre nós, quem não quer uma Juliana na sua casa né? ha ha No caminho para a casa escondida num canto suspeito da cidade, encontramos o Renan. Eu, muito tímida, devo ter ficado roxa quando ele se aproximou. Eu esperava que aquilo fosse mais legal, já que, quando o conheci, ele veio cheio de brincadeiras, mas ele foi muito estranho, meio quieto. Eu tinha uma queda de quinze centímetros por ele, mas depois daquilo passou.
O ensaio
De noite, fui com ela pra casa da Maísa, uma amiga dela. Lá, o irmão dela foi falar com minha prima e, cara, ele é muito cute cute. Ficou todo vermelhinho só de ver minha prima. Tinha que ser mineiro! Depois de um tempo perdido com uma conversa sobre educação física, Maísa nos chamou pra ir ao quarto dela. Dei de cara com uma parede cheia de pôsteres e, no meio daquela floresta, vi um pôster sagrado do All Time Low. Claro, logo perguntei se era Maísa quem gostava, mas ela disse que era sua irmã, Cleide.
Cleide, uma garota diferente de todos daquela cidade, com um estilo considerado ousado naquele lugar, mas até que comum aqui. Dava para notar seu gosto por rock e sua quase aversão a pessoas que não aderem ao diferente. Fomos nós quatro para o ensaio (de canto para o salmo da missa do sábado). Passamos perto de duas caipirutas que fizeram piadas não percebíveis ao ouvido Juliana, mas bem compreensível ao ouvido Maísa. A garota, ficando nervosa, quis discutir e barraquear, mas felizmente as caipirutas não tinham bons argumentos para rodarem a baiana junto.
Chegamos ao local do ensaio e, após alguns minutos de espera, o dono da casa chegou e nos recebeu com muita atenção. As caipirutas também estavam indo ensaiar. Quando chegaram lá, tentaram se desculpar com M, mas não conseguiram. As garotas ensaiavam, enquanto eu e Cleide sobrávamos. Eu decidi ficar junto com as garotas, mas C se isolou, ficando na porta, assistindo e pensando em coisas boas da vida, como garotos. Ops... Quero dizer, filosofias iluministas de Voltaire.
Não aguentando o sentimento de sobrar, acabei, no final do ensaio, cantando um refrão. O cara, muito sábio e gentil, me elogiou, e aquilo foi melhor do que receber um elogio do Pão de Queijo (Geraldo). Bem, acho que ser elogiada pelo Pão de queijo deve ser awesome, mas enfim...
Procissão
Depois do ensaio teve a procissão. Eu, sendo ateia, não sabia que aquilo significava o enterro de Jesus. Não sabendo que aquilo era realmente importante, passei boa parte da procissão rindo, fazendo piadas sobre a vida e também comentando sobre um apóstolo que era um tanto quanto gato. Adivinhem o nome dele: Danilo! Aquele apóstolo era um anjo!
Após um tempo de algazarra, uma das garotas me disse o significado daquele monte de pessoas andando na mesma direção. Eu tentei ficar quieta, e até teria conseguido, se Cleide não tivesse feito um comentário que me fez rir por uns cinco minutos: eu pisei no pé de uma pessoa, que estava na minha frente, umas três vezes, ai comentei “cara, eu tô pisando no pé dessa garota direto”, ai Cleide disse, num tom alto “Cara, essa garota é uma mulher, e muito velha. Olha pra ela!”. Claro, aquilo foi sem querer e, mais claro ainda, acabei tendo o ataque de riso.
depois termino xoxo

